Pix, cartão ou dinheiro: quanto custa cada forma de pagamento

Equipe Doce Gestão4 min de leitura
maquininha de cartão sendo usada num pequeno comércio
Foto: Kampus Production / Pexels

O cliente pergunta se pode parcelar em 3 vezes no cartão. Você diz que sim, entrega o bolo de R$ 180 e alguns dias depois cai R$ 168 na conta. Os R$ 12 que sumiram não são detalhe: são quase o custo da embalagem e do gás daquele bolo.

Quanto cada forma custa

As taxas variam por operadora, por volume de venda e por negociação, mas as faixas praticadas hoje ficam por aí:

  • Pix: 0% na maioria dos casos. Se você recebe pela chave direto na sua conta pessoa física, não paga nada. Pix cobrado pela maquininha ou por gateway costuma ter taxa perto de 1%.
  • Débito: 1,5% a 2,5%. Cai em um dia útil.
  • Crédito à vista: 3% a 4,5%. Costuma cair em 30 dias, a menos que você pague antecipação.
  • Crédito parcelado: 1% a 1,5% por parcela, acumulando. Em 3 vezes fica perto de 6%, em 6 vezes perto de 9%, em 12 vezes passa de 13%.
  • Dinheiro: 0%, com o custo escondido de precisar ter troco e de ir ao banco.

Num bolo de R$ 180, isso significa receber R$ 180 no Pix, R$ 173 no crédito à vista e R$ 156 se o cliente parcelar em 12 vezes.

A taxa sai da sua margem, não do preço

Esse é o ponto que mais dói. A taxa não incide sobre o lucro, incide sobre o valor total da venda, e ela é descontada inteira do que sobraria para você.

Um bolo de R$ 180 com custo de R$ 110 deixa R$ 70. Se o cliente parcela em 6 vezes e a taxa fica em 9%, são R$ 16,20 a menos. O seu lucro cai de R$ 70 para R$ 53,80, uma queda de 23% no que sobra, por uma decisão que o cliente tomou no balcão.

Quanto menor a sua margem, mais a taxa dói. Em produto de margem apertada, parcelamento longo pode zerar o ganho.

Três jeitos de resolver

Embutir a taxa no preço de todo mundo. Você calcula o preço já com uma média de 4% em cima e cobra igual em qualquer forma de pagamento. Simples de operar, mas quem paga no Pix acaba financiando quem paga no cartão.

Dar desconto para Pix. Você anuncia o preço cheio e oferece de 5% de desconto para pagamento à vista no Pix. É legal, é comum, e move boa parte dos clientes para a forma mais barata sem parecer punição. Costuma ser a opção mais eficiente na confeitaria.

Repassar o parcelamento. Até 3 vezes você absorve, acima disso o cliente paga os juros. Deixe isso escrito no orçamento, não descubra na hora de fechar.

O que não funciona é aceitar tudo, absorver tudo e não recalcular nada. Aí a taxa vira um vazamento invisível que aparece só quando o mês fecha pior que o esperado.

Antecipação: o custo que ninguém soma

Crédito cai em 30 dias. Se você antecipa para receber na hora, paga entre 1,5% e 3% a mais. Uma confeiteira que antecipa tudo por hábito pode estar pagando 7% no crédito à vista sem perceber, porque a taxa vem separada no extrato.

Antecipar faz sentido quando você precisa daquele dinheiro para comprar o insumo do próximo pedido. Se não precisa, esperar os 30 dias é lucro puro.

Quando vale ter maquininha

Nem toda confeiteira precisa. Se 90% dos seus clientes pagam no Pix e nunca ninguém desistiu por falta de cartão, a maquininha vai custar aluguel ou o preço do aparelho sem trazer venda.

Ela passa a valer quando aparecem estas situações:

  • pedido de valor alto, acima de R$ 300, em que o cliente quer dividir
  • venda presencial em feira e evento, onde o cliente decide na hora
  • cliente corporativo, que costuma pagar em cartão empresarial

Antes de assinar, compare a taxa de duas ou três operadoras com o seu ticket médio real. Um ponto percentual em quem fatura R$ 4.000 por mês em cartão são R$ 40, quase o valor de uma maquininha nova por ano.

Registre a forma de pagamento em cada pedido

Anotar como cada cliente pagou parece burocracia, e é o que revela o padrão. Depois de dois meses você sabe qual porcentagem do seu faturamento passa por cartão e qual taxa média você está pagando de verdade.

Esse número muda a conversa. É a diferença entre "acho que perco pouco com maquininha" e "perdi R$ 214 em taxa no mês passado, e R$ 130 disso foi parcelamento acima de 6 vezes".