Quanto cobrar pela entrega de bolos e doces sem ter prejuízo

Equipe Doce Gestão3 min de leitura
Caixa de bolo pronta para entrega
Foto: Connor Scott McManus / Pexels

Você fecha uma encomenda de R$ 120, atravessa a cidade pra entregar e, quando vê, gastou meia tarde e R$ 30 de gasolina que ninguém pagou. A entrega parece detalhe, mas é onde muita confeiteira perde dinheiro sem perceber.

A boa notícia é que dá pra calcular um valor justo, que cobre o que você gasta e ainda respeita o cliente. Aqui vai o passo a passo.

O que a taxa de entrega precisa cobrir

Frete não é só gasolina. Quando você sai pra entregar, três custos andam juntos:

  • Combustível, ou a corrida do aplicativo se você manda por motoboy
  • O seu tempo no trânsito, que é tempo que você não está produzindo
  • O desgaste do carro e o cuidado extra que um bolo pede no caminho

Se a conta olha só pra gasolina, ela ignora o mais caro, que é a sua hora.

A conta simples que funciona

Comece pelo custo por quilômetro. Um carro popular gasta perto de R$ 0,80 por km rodado, somando combustível e manutenção. Numa entrega de 8 km de ida e 8 de volta são 16 km, ou cerca de R$ 12,80 só de carro.

Agora some o seu tempo. Se a entrega leva 40 minutos no total e você valoriza sua hora em R$ 25, são uns R$ 17 de tempo. Juntando, essa entrega custa por volta de R$ 30.

Esse é o piso. Cobrar menos que isso é tirar do seu lucro pra subsidiar o trajeto.

Tabela por faixa de distância

Calcular a cada pedido cansa. O que dá certo na prática é montar faixas fixas e divulgar pro cliente:

  • Até 5 km: R$ 15
  • De 5 a 10 km: R$ 25
  • De 10 a 15 km: R$ 35
  • Acima de 15 km: combinar na hora

Faixas deixam o cliente saber o valor antes de perguntar e te poupam de recalcular toda vez. Ajuste os números pra realidade da sua cidade e do seu carro.

E quando o cliente acha caro

Vai acontecer. A resposta não é abaixar o frete, é mostrar o que ele inclui. Dizer que "a taxa cobre o trajeto e a entrega na sua porta com o bolo inteiro" comunica valor sem soar defensiva.

Outra saída é oferecer a retirada. Quem mora longe e não quer pagar a entrega pode buscar, e você não perde a venda nem o lucro.

Deixe a taxa de entrega sempre separada do preço do bolo no orçamento. Quando ela some dentro do valor total, o cliente acha que o doce está caro, e você é quem paga a conta do trajeto.

Frete grátis acima de quanto

Frete grátis acima de um valor pode aumentar o ticket, mas só funciona se o custo da entrega já estiver embutido nesse piso. Se a sua entrega média custa R$ 30, anunciar "entrega grátis acima de R$ 200" só faz sentido se a margem desses R$ 200 absorve os R$ 30 sem te deixar no zero. Faça a conta antes, senão o grátis sai do seu bolso.

Motoboy: quando vale a pena

Se as encomendas longe estão tomando suas tardes, terceirizar pode render mais. Uma corrida de aplicativo de 10 km sai por uns R$ 18 a R$ 25 na maioria das cidades. Se a sua hora de produção vale mais que isso, mandar por motoboy e ficar produzindo costuma ser o melhor negócio.

O cuidado é com bolos altos ou de andares, que pedem transporte firme e nem todo motoboy topa. Pra esses, a entrega na sua mão ainda é a opção mais segura.

Coloque a entrega no preço, não na memória

O erro mais comum é tratar o frete como algo que "depois eu vejo". Quando a taxa está definida em faixas e anotada junto do pedido, ela entra no caixa como deveria. Um sistema de gestão que registra a taxa de entrega separada do valor do bolo deixa claro, no fim do mês, quanto você ganhou de fato com cada encomenda.

Entrega bem cobrada não afasta cliente. O que afasta é a surpresa. Defina suas faixas, deixe visível, e o trajeto deixa de ser o buraco silencioso no seu lucro.