Como incluir luz, gás e aluguel no preço dos seus doces

Equipe Doce Gestão4 min de leitura
forno e boca de fogão acesos numa cozinha de casa
Foto: Gustavo Fring / Pexels

Você soma o chocolate, a farinha, o ovo, a embalagem, coloca a sua margem e fecha o preço. No fim do mês o dinheiro não bate. A conta que falta quase sempre é a mesma: o forno ficou ligado três horas e ninguém pagou por isso.

Custo fixo é o que você paga mesmo sem vender

Ingrediente é custo variável: se você não produz, não gasta. Já a conta de luz, o botijão, a internet, o aluguel e a assinatura do sistema chegam do mesmo jeito no mês em que você vendeu dois bolos.

Na confeitaria caseira, os fixos que aparecem em quase toda cozinha são:

  • energia elétrica (forno elétrico, batedeira, geladeira, freezer)
  • gás
  • água
  • internet e celular, se você usa para vender
  • aluguel ou uma parte dele, quando você trabalha em casa
  • manutenção de equipamento e reposição de utensílio

Somados, isso raramente é pouco. Uma cozinha caseira que produz todo fim de semana costuma acumular entre R$ 250 e R$ 600 por mês nesses itens.

A conta: total de fixos dividido pela produção do mês

O método que funciona sem planilha complicada tem três passos.

Passo 1: some os fixos do mês. Pegue as contas dos últimos três meses e tire uma média, porque a luz de janeiro não é a mesma de julho. Digamos que dê R$ 380 por mês.

Passo 2: conte quantas unidades você produz por mês. Não é quantas receitas, é quantas unidades vendáveis. Se você faz 12 bolos e 900 docinhos, some em uma unidade só de referência ou separe em dois grupos, o que for mais fácil de acompanhar.

Passo 3: divida. R$ 380 divididos por, digamos, 1.100 unidades produzidas no mês dão R$ 0,35 por unidade. Esse é o valor que entra em cada doce antes da margem.

Parece pouco. Em um cento de brigadeiro, são R$ 35 que você estava pagando do seu bolso.

Quando a casa também é a cozinha

Aqui mora a maior confusão. Você não vai jogar o aluguel inteiro no preço do bolo, porque você mora ali.

O jeito honesto é ratear por uso. Se a cozinha ocupa perto de 15% da área da casa e você usa essa cozinha para produção em metade do tempo, entra algo perto de 7% a 8% do aluguel no custo do negócio. Um aluguel de R$ 1.500 vira uns R$ 110 por mês na conta da confeitaria.

O mesmo vale para a luz. Uma alternativa mais precisa que o rateio por área: olhe a conta de um mês parado e a de um mês cheio de encomenda. A diferença entre as duas é a energia da produção, sem chute.

Um forno elétrico de 2.500 W ligado por 2 horas consome 5 kWh. Com a tarifa perto de R$ 0,95 o kWh, é quase R$ 5 de luz num único dia de produção.

O erro de colocar tudo em um só produto

Quem tem um carro-chefe às vezes joga todo o custo fixo nele e deixa os outros produtos limpos. Isso distorce o preço dos dois lados: o carro-chefe fica caro e perde venda, e o resto fica barato e parece lucrativo quando não é.

Ratear por unidade produzida é mais justo. Se você quiser refinar, rateie por tempo de forno, que é o que mais pesa: um bolo que fica 50 minutos assando carrega mais custo fixo que um docinho de panela.

Refaça a conta a cada três meses

Custo fixo muda. A tarifa de energia sobe, o botijão sobe, você compra um freezer novo e a conta de luz muda de patamar. Se o seu rateio é de um ano atrás, ele está errado.

Um sistema de gestão facilita essa parte porque permite lançar o custo extra como percentual sobre o custo da receita, e ele se ajusta sozinho quando o preço dos ingredientes muda. Mas mesmo no caderno, revisar de três em três meses já resolve.

O sinal de que os fixos estão fora do preço

Tem um teste rápido. Pegue o faturamento do mês, tire tudo que você gastou com ingrediente e embalagem, e depois tire as contas fixas. Se o que sobra não paga o seu trabalho, o problema quase nunca é volume de venda, é preço.

Confeiteira que vende muito e não vê dinheiro geralmente está bancando a própria estrutura sem saber. Trinta e cinco centavos por doce parece detalhe, e é exatamente o tamanho do buraco.