Como cobrar um cliente que ficou devendo sem estresse

Equipe Doce Gestão3 min de leitura
mulher digitando no celular apoiada na bancada da cozinha
Foto: Andrea Piacquadio / Pexels

A encomenda saiu, o cliente elogiou, mandou foto da festa e sumiu com R$ 180 do saldo em aberto. Agora você trava na hora de mandar mensagem, porque parece feio cobrar de alguém que acabou de te elogiar.

Não é feio. O trabalho foi feito, o ingrediente foi comprado com o seu dinheiro, e cobrar é parte do serviço, não um favor que você está pedindo.

Cobre cedo, enquanto o bolo ainda está fresco na cabeça

Quanto mais tempo passa, mais difícil fica. Na primeira semana, o cliente ainda está com o gosto da festa. Depois de um mês, aquele valor virou uma dívida velha que ele já reorganizou mentalmente como "resolvo depois".

A primeira mensagem sai no dia seguinte à entrega, sem rodeio e sem pedido de desculpa:

"Oi, Ana, que bom que todo mundo gostou do bolo. Passando pra combinar o saldo de R$ 180. Te mando a chave Pix por aqui?"

Repare no que essa mensagem tem: o nome da pessoa, o valor exato, e uma pergunta que facilita o pagamento. E repare no que ela não tem: "desculpa incomodar", "quando puder", "se der". Essas três expressões dão permissão para adiar.

Combine um prazo, não um sentimento

Se a pessoa responde que vai pagar, a conversa só termina com uma data. "Semana que vem" não é data. "Sexta" é.

"Fechado. Deixo anotado pra sexta então. Qualquer coisa me avisa."

Isso troca a cobrança seguinte de constrangimento por lembrete: você não está cobrando de novo, está confirmando o que ele mesmo combinou.

A escadinha que evita o desgaste

Uma sequência que funciona bem, sem virar perseguição:

  • Dia seguinte à entrega: primeira mensagem com o valor e a chave Pix.
  • Três dias depois: lembrete curto, tom leve.
  • Uma semana depois: mensagem direta, ainda cordial, oferecendo dividir em duas vezes.
  • Quinze dias: ligação. Áudio e ligação constrangem mais que texto, e por isso funcionam melhor nesse ponto.

Oferecer o parcelamento no terceiro contato resolve muita coisa. Boa parte dos calotes de confeitaria não é má-fé, é gente que estourou o orçamento da festa. Um "prefere dividir em duas de R$ 90?" costuma destravar.

Quando parar de insistir

Existe um ponto em que continuar cobrando custa mais do que o valor devido: o tempo, o desgaste e a chance de a pessoa falar mal de você. Para valores pequenos, uns R$ 100 ou R$ 150, esse ponto chega perto do segundo mês.

Encerre com uma mensagem que fecha a porta do fiado e deixa a do bolo aberta:

"Vou deixar esse saldo anotado aqui. Se quiser encomendar de novo, a gente combina o pagamento antes da entrega."

Sem ironia, sem indireta. Você não perdeu o cliente, perdeu a modalidade de pagamento dele.

Anote quem deve, mesmo o que já perdeu a esperança

Um caderno ou um sistema com contas a receber serve para isso: você não confia na memória para saber que a Ana ficou devendo em março quando ela pedir de novo em agosto. Sem esse registro, a segunda encomenda sai fiado outra vez.

Anote nome, valor, data da entrega e o que foi combinado. Duas linhas.

O jeito de não passar por isso de novo

Cobrança é remédio. A prevenção é o combinado feito antes de você comprar o primeiro ingrediente:

  • Sinal de 50% para confirmar a data na agenda.
  • Saldo pago antes da entrega, não na porta e não depois.
  • Valor, data e forma de pagamento escritos na conversa do WhatsApp, onde os dois podem reler.

Pagar na entrega parece cômodo até o dia em que o cliente diz que o Pix não passou e você já está com o bolo montado no carro. Com o saldo quitado na véspera, a entrega vira só entrega.

O cliente que paga direito é a maioria. O combinado por escrito existe para você não descobrir da pior forma quem não é.