Como calcular o custo real de uma receita de bolo

Equipe Doce Gestão6 min de leitura
Ingredientes de confeitaria ao lado de uma calculadora e um caderno
Foto: www.kaboompics.com / Pexels

Se você precifica o bolo pelo "mais ou menos", uma hora a conta não fecha. O custo real de uma receita é a base de tudo, e quase sempre ele é maior do que a gente imagina, porque metade dele fica escondida.

Por que somar só os ingredientes engana

Quando você lista farinha, ovo e chocolate e soma, está vendo só uma parte. Falta o gás do forno, a energia da batedeira, a embalagem, e a parte da manteiga que ficou grudada na tigela. Esses centavos somados mudam o preço final, e ignorá-los é o motivo número um de confeiteira trabalhar muito e ver pouco dinheiro no fim do mês.

O custo real tem quatro blocos: ingredientes, embalagem, custos da produção (gás, energia, mão de obra) e a perda.

Passo 1: o custo de cada ingrediente na quantidade usada

O segredo é trabalhar com o preço por unidade base, não com o preço do pacote. Você comprou a farinha por R$ 5,90 o quilo, mas a receita usa 300 gramas. Então o custo daquele ingrediente é 0,3 vezes R$ 5,90, ou seja, R$ 1,77.

Faça isso para cada item. Um exemplo de bolo de chocolate de 12 fatias:

  • Farinha de trigo, 300 g a R$ 5,90/kg: R$ 1,77
  • Açúcar, 250 g a R$ 4,50/kg: R$ 1,13
  • Chocolate em pó 50%, 100 g a R$ 38,00/kg: R$ 3,80
  • Ovos, 4 unidades a R$ 12,00 a dúzia: R$ 4,00
  • Manteiga, 100 g a R$ 39,90/kg: R$ 3,99
  • Leite, 200 ml a R$ 4,80/litro: R$ 0,96

Some tudo e você tem o custo dos ingredientes: R$ 15,65 para o bolo inteiro.

Passo 2: a embalagem entra no custo

A caixa, a forma de papel, o adesivo, a fita. Se a caixa de bolo sai por R$ 3,50 e você usa uma por bolo, são R$ 3,50 a mais. Parece pouco, mas em uma encomenda de 10 bolos são R$ 35,00 que sumiriam da sua margem se ficassem de fora.

Passo 3: gás, energia e o seu tempo

Esse bloco assusta porque é difícil de medir, então a maioria das confeiteiras simplesmente pula. Não pule.

Uma forma prática: estime um valor fixo de custo de produção por receita. Se o seu botijão de R$ 120,00 dura cerca de 30 fornadas, cada fornada custa R$ 4,00 de gás. Energia da batedeira e da geladeira, mais um real ou dois. E o seu tempo, que é o custo que mais gente esquece. Se você levou uma hora e meia para fazer esse bolo e quer valorizar sua hora em R$ 20,00, são R$ 30,00 de mão de obra ali dentro.

Seu tempo não é de graça. Se você não colocar a mão de obra no custo, está pagando para trabalhar.

Passo 4: a perda que ninguém contabiliza

Sempre sobra massa na tigela, sempre um bolo desanda, sempre um ovo estraga. A perda é real e some do bolso quando não entra na conta. Uma forma simples de cobrir isso é somar de 5% a 10% sobre o custo dos ingredientes. No nosso exemplo, 8% sobre R$ 15,65 dá cerca de R$ 1,25.

Juntando tudo

Para o bolo do exemplo:

  • Ingredientes: R$ 15,65
  • Embalagem: R$ 3,50
  • Produção (gás, energia, mão de obra): R$ 35,00
  • Perda (8%): R$ 1,25
  • Custo real: R$ 55,40

Se você dividir por 12 fatias, cada fatia custou R$ 4,62 para sair da sua cozinha. Esse é o piso. Vender abaixo disso é tirar do próprio bolso.

O trabalhoso é manter isso atualizado

Fazer essa conta uma vez é tranquilo. O problema é que o preço do chocolate sobe, o da manteiga muda, e aí todas as receitas que usam esses itens ficam com o custo errado de novo. Refazer tudo na mão a cada compra é o que faz a maioria desistir e voltar para o "mais ou menos". Um sistema de gestão recalcula o custo de todas as receitas sozinho quando você atualiza o preço de um insumo, e é aí que a conta para de envelhecer.

O custo real não é um número que você acha uma vez e guarda. É a fotografia de quanto a sua cozinha gasta hoje para fazer aquele bolo, e ele muda junto com o mercado.