Como se planejar para o Natal na confeitaria sem virar a noite

Equipe Doce Gestão5 min de leitura
biscoitos natalinos sendo decorados sobre uma mesa de cozinha
Foto: Karolina Ostrzolek / Pexels

Dezembro é o mês em que a confeiteira mais fatura e o mês em que ela mais chora de cansaço. As duas coisas vêm juntas quando o planejamento começa em dezembro. Quem começa em setembro chega no dia 24 com as entregas feitas e a cozinha limpa.

O que segue é um calendário de trás para frente, do dia da entrega até hoje.

Setembro: decida o cardápio de Natal

O erro mais comum é oferecer tudo. Panetone, chocotone, bolo de Natal, rabanada, pavê, docinhos temáticos, biscoitos decorados. Cada item novo é uma receita para testar, um insumo para comprar e uma embalagem para achar.

Escolha de 4 a 6 produtos e faça bem. Um exemplo de cardápio enxuto:

  • Panetone ou chocotone de 500 g (um só tipo de massa, dois recheios)
  • Bolo de Natal de 1 kg em dois sabores
  • Caixa de docinhos natalinos com 20 unidades
  • Biscoitos decorados em saquinho com 6 unidades

Teste cada receita agora, com calma, e monte a ficha técnica com o custo. Em novembro não vai ter tempo de testar nada.

Outubro: compre o que não estraga e feche as embalagens

Chocolate, açúcar, farinha, frutas cristalizadas, uva-passa e forminhas têm validade longa e sobem de preço em novembro. Em 2024 o chocolate nobre subiu mais de 30 por cento entre setembro e dezembro em muitas regiões. Comprar em outubro trava o custo que você usou na ficha técnica.

Embalagem é o item que mais atrasa. Caixa de panetone, lata decorada e saquinho com tag costumam esgotar nas lojas de embalagem na segunda semana de dezembro. Compra em outubro, com 20 por cento de folga sobre a quantidade que você acha que vai vender.

Novembro: abra as encomendas com data limite

Divulgue o cardápio no começo de novembro, com foto de cada produto, preço e uma regra clara: encomendas até o dia 10 de dezembro, ou até esgotar a agenda.

Defina antes quantas unidades você consegue produzir. Se o forno assa 4 panetones por vez em 50 minutos, em 8 horas de forno saem cerca de 38. Se você reservou três dias de produção para panetone, o teto é perto de 110. Anote esse número e pare de aceitar quando chegar nele.

Peça sinal de 50 por cento na hora do pedido. Em dezembro o cliente some, muda de ideia e esquece. O sinal segura a agenda e paga o insumo.

Encomenda de Natal sem sinal é uma aposta com o seu dinheiro, não com o dele.

Primeira quinzena de dezembro: produza o que congela

Massa de bolo assada congela bem por 30 dias. Brigadeiro enrolado congela por 15 dias em pote fechado. Biscoito assado sem decorar aguenta 10 dias em lata bem vedada. Panetone é o único que precisa ser feito perto da entrega, porque perde umidade rápido.

Use a primeira quinzena para adiantar tudo o que congela. O que fica para a semana da entrega é montar, decorar e embalar.

Semana da entrega: uma planilha por dia

Do dia 20 ao 24, cada dia tem uma lista com o que sai da cozinha e a que horas. Separe as entregas por bairro para não cruzar a cidade duas vezes. Se você trabalha sozinha, chame alguém da família para embalar e etiquetar nos dias 22 e 23. Embalar 100 caixas leva umas 4 horas que você não tem.

Deixe o dia 24 só para entrega e imprevisto. Não produza nada nesse dia.

O que fazer depois do Natal

Entre o dia 26 e o dia 31, anote três coisas antes de esquecer: qual produto vendeu mais, qual deu mais trabalho pelo preço e o que sobrou de insumo. Esse registro é o cardápio do Natal que vem, e a memória em setembro não vai lembrar de nada disso.